Aconselhamento e ligação aos cuidados de saúde

Aconselhamento

O aconselhamento garante uma abordagem centrada nas pessoas, uma vez que presta informação suficiente sobre o rastreio, oferece uma oportunidade para refletir sobre comportamentos de risco em caso de resultado não reativo e apoio, informação e ligação aos cuidados de saúde em caso de resultado reativo.

Obtenha algumas informações de pontos de verificação diferentes na Europa em nosso vídeo do Workshop em Ljubljana:

Legendas russas incluídas / Включая российские субтитры

Item O seu serviço de ARVBC tem isto em prática? Existe um padrão, diretriz, plano, política, procedimento, contrato ou acordo documentado? Is it adapted to local needs and conditions?Está adaptado às condições e necessidades locais? Está a funcionar como pretendido? Ação
Aconselhamento pré e pós rastreio
Descrição

Descrição

Aconselhamento num serviço de ARVBC significa receber informação, apoio e referenciação através do diálogo com um profissional treinado antes e depois do rastreio à infeção pelo VIH.

 

Orientação

Orientação

O aconselhamento num serviço de ARVBC é uma oportunidade para que os utentes se concentrem na sua própria saúde. O aconselhamento pré e pós teste são dois momentos diferentes de uma só conversa e são geralmente disponibilizados pelo mesmo profissional.

Os técnicos de rastreio nos serviços de ARVBC são muitas vezes pares (ou seja, são membros da população chave: HSH, neste caso). Em comunidades pequenas nas quais muitos HSH se conhecem, poderá eventualmente acontecer que um utente e um técnico de rastreio se conheçam. O técnico de rastreio e/ou o utente podem recusar continuar a sessão um com o outro e outro técnico conduzirá o aconselhamento e rastreio.

Ver também COBATEST Guide to doing it better (3.5 na página 36).

A conversa pré tastreio inclui sempre o consentimento informado e poderá focar-se também em:

  • Avaliação de risco;
  • Informação sobre o(s) rastreio(s);
  • Informação sobre confidencialidade/anonimato;
  • Preenchimento de formulários, como instrumentos de recolha de dados, por exemplo.

A conversa pós rastreio irá focar-se maioritariamente no resultado e poderá também ser abordado:

  • Marcação de um teste de confirmação;
  • Informação sobre confidencialidade/anonimato;
  • Encaminhamento para outros serviços
  • Avaliação
  • Inscrição num serviço que recorde os utentes da necessidade de fazer o rastreio;
  • Conversa sobre notificação de parceiros;
  • Ligação aos cuidados de saúde para a infeção pelo VIH;
  • Acompanhar os utentes a casa ou a uma consulta.

Ter documentos escritos com informações para os utentes e orientações para os técnicos de rastreio pode ser útil para o processo de aconselhamento. Contudo, é importante encontrar um equilíbrio entre o recurso à informação escrita e a um guião e a atenção às necessidades do utente naquele momento. Estão disponíveis várias diretrizes, checklists e guiões para sessões de aconselhamento. Contêm variações dos passos principais para cada cada uma das três possíveis conversas de aconselhamento associadas ao rastreio.

Conversa pré rastreio:

  • Cumprimentar o utente;
  • Informar o utente da obrigatoriedade profissional em relação à confidencialidade e/ou anonimato;
  • Se se estiver a coordenar uma formação, pedir permissão ao utente para convidar o formando a assistir;
  • Perguntar ao utente o motivo que o levou a fazer o rastreio e falar sobre o período janela;
  • Preencher o questionário sobre avaliação de risco (ver também a secção sobre avaliação de risco);
  • Se for relevante, propôr outros rastreios (IST, hepatites);
  • Explicar os procedimentos de rastreio;
  • Explicar o que significa(m) o(s) resultado(s) (reativo/não reativo);
  • Perguntar ao utente que resultado espera e o que significaria para si um resultado reativo para a infeção pelo VIH;
  • Obter o consentimento para fazer o(s) rastreio(s) (ver também “Consentimento informado e confidencialidade”).

Conversa pós rastreio (resultado não reativo):

  • Explicar/falar sobre o resultado não reativo;
  • Falar sobre como lidar no futuro com o risco de infeção pelo VIH;
  • Falar sobre satisfação sexual (“Sente-se feliz com a sua vida sexual?”) e outros assuntos relacionados com saúde sexual, sempre que se justificar (por exemplo, IST, “chemsex” e PrEP);
  • Perguntar se faz sentido fazer outro rastreio e informar o utente sobre serviços de lembrete de rastreio, se estiverem disponíveis;
  • Disponibilizar materiais informativos, preservativos/lubrificantes e, se se justificar, materiais para injeção segura;
  • Disponibilizar o encaminhamento para outros serviços, se se justificar;
  • Convidar o utente a dar feedback para avaliação (em papel ou online).

Conversa pós rastreio (resultado reativo)

  • Explicar o resultado reativo e o que este significa;
  • Ouvir a reação do utente e apoiá-lo durante a reação inicial;
  • Se aplicável, incluir informação sobre as atuais opções de tratamento e o prognóstico geral para a infeção pelo VIH;
  • Falar sobre o risco de transmissão;
  • Falar sobre a possibilidade de convidar o(s) seu(s) parceiro(s) sexual(ais) para fazer o rastreio (ver também a secção sobre notificação de parceiros)
  • Falar sobre o teste de confirmação;
  • Marcar consulta para o teste de confirmação (se não se fizerem análises de sangue no checkpoint);
  • Acompanhar o utente à consulta para o teste de confirmação ou para casa, se for possível/adequado.

Ver também: cdc_hiv_scripts-rapid_hiv_testing_for_individuals

 

Adaptação

Adaptação

O aconselhamento deve ser adaptado a cada utente, dando-lhe a possibilidade de escolha sobre falar sobre apenas alguns assuntos e não falar sobre outros. Isto aplica-se sobretudo àqueles que fazem o rastreio regularmente.

O aconselhamento é um diálogo de dois sentidos e o técnico de rastreio deve adaptar-se às necessidades do utente. Algumas adaptações comuns são:

  • Para os utentes que fazem o rastreio frequentemente: perguntar se existiram mudanças desde o último rastreio, se tem quaisquer perguntas sobre o processo de rotina ou se quer falar sobre alguma coisa antes de fazer o rastreio;
  • Para utentes HSH afetados pela discriminação ou com homofobia internalizada: falar sobre opções de apoio e redes de HSH, encaminhá-los para outros serviços sempre que se justificar;
  • Para utentes com uma exposição risco muito recente (menos de 72 horas): oferecer/referenciar para PPE.

O processo de aconselhamento também deve ser adaptado às circunstâncias locais, por exemplo:

  • Processo envolvio no teste de confirmação;
  • Serviços para os quais é possível fazer a referenciação.

É importante ter em conta quando é que o técnico de rastreio ficará a conhecer o resultado, sobretudo quando os resultados obtidos num laboratório separado do serviço: antes ou ao mesmo tempo que o utente. Ambas as possibilidades são usadas em serviços de ARVBC e cada uma tem as suas vantagens e desvantagens. Conhecer o resultado previamente permite ao técnico de rastreio recordar-se das circunstâncias do utente e adaptar-se à sua reação. Conhecer o resultado ao mesmo tempo evita mensagens intencionais transmitidas pela linguagem corporal, enfatiza o trabalho de pares que está na natureza do projeto e normaliza o rastreio.

Em geral, os resultados são comunicados pessoalmente ou por telefone. No entanto, alguns serviços de ARVBC avisam os utentes de que se trata de um teste de rastreio e não um teste de diagnóstico.

O aconselhamento pós rastreio no caso de um resultado reativo também pode incluir:

  • Marcar as consultas para o utente;
  • Acompanhar o utente a casa e/ou às consultas de acompanhamento.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

As perguntas quatro e cinco das Self-evaluation Grids do Euro HIV EDAT centram-se no aconselhamento. Para além disso, uma intervisão frequente (reuniões de grupo onde os colegas colocam perguntas e debatem o seu trabalho) e/ou supervisão para técnicos de rastreio são essenciais para prestar apoio e em manter e melhorar os seus trabalhos.

Para além da formação inicial e ao longo do trabalho, todos os técnicos de rastreio de serviços de ARVBC, quer sejam pares ou profissionais (ou ambos), têm de ter apoio, supervisão, intervisão e/ou um mentor como requerimento para manterem a qualidade do seu aconselhamento.

As associações de profissionais e a Ordem dos Psicólogos poderão prestar mais informações a este respeito.

 

Plano de Ação

Plano de Ação

Este Plano de Ação irá permitir-lhe trabalhar diretamente os itens que identificou como sendo prioritários (campos a amarelo e/ou vermelho na checklist). Indique atividades tão específicas quanto possível. Poderá fazer download da versão final de cada Plano de Ação num documento em formato xlsx e imprimi-lo posteriormente. O Plano de Ação servirá de base para o futuro planeamento, implementação e avaliação.

O Plano de Ação apresenta uma sequência de passos a seguir, ou de atividades que devem ser desenvolvidas para que uma estratégia tenha sucesso. O Plano de Ação tem quatro elementos principais: (1) o que será feito (tarefas específicas), (2) por quem (responsabilidade), (3) até quando (prazos) e (4) como será monitorizada a implementação da tarefa.


→ Copiar para plano de ação
Consentimento informado
Descrição

Descrição

Consentimento informado significa aceitar formalmente fazer o rastreio com base no conhecimento transmitido sobre os procedimentos de rastreio e os potenciais resultados.

 

Orientação

Orientação

Para garantir que o utente compreende o método de rastreio, que sabe o que significa receber o resultado e que aceita fazê-lo de livre vontade, os serviços de ARVBC recorrem a processos formais para obter o consentimento informado e documentá-lo.

Muitas vezes, este processo é integrado na conversa de aconselhamento pré rastreio ou na avaliação de comportamentos de risco. O consentimento é geralmente obtido verbalmente, recorrendo a perguntas como:

“Se não tiver outras perguntas, podemos proceder para o rastreio da infeção pelo VIH. Aceita fazer agora o rastreio para a infeção pelo VIH?”

O técnico de rastreio irá então documentar a resposta do utente.

Nota:

  • A legislação local poderá exigir determinadas formas de obtenção de consentimento;
  • A idade de consentimento para exames médicos varia – poderá ser necessário obter consentimento parental.

 

Adaptação

Adaptação

A forma como e quando se obtém o consentimento depende do tipo de serviço de ARVBC, da sua forma de atuação e da legislação local.

Algumas opções:

  • O técnico de rastreio/técnico de outreach obtém o consentimento verbal durante a conversa pré rastreio e documenta-a;
  • O médico ou enfermeiro obtem o consentimento informado antes de tirar a amostra;
  • Em alguns países é obrigatório um consentimento por escrito para fazer o rastreio à infeção pelo VIH;
  • No caso de a pessoa que quer fazer o rastreio ser menor de idade, aplica-se a legislação local e poderá ser necessário obter o consentimento parental. A idade de consentimento para consultas e exames médicos varia de acordo com o país.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

A pergunta três das Self-evaluation Grids do Euro HIV EDAT  centra-se na confidencialidade e consentimento informado. O procedimento para obter o consentimento informado também pode ser debatido no âmbito da reflexão sobre o processo de rastreio – por exemplo, através do uso das Self-evaluation Grids nos processos regulares de intervisão ou reuniões de equipa.

 


→ Copiar para plano de ação
Confidencialidade e anonimato
Descrição

Descrição

Por confidencialidade entende-se manter privada a informação pessoal do utente e é uma componente fundamental do consentimento. Anonimato significa que o utente não tem nunca de dar o seu nome ou dados de contacto.

 

Orientação

Orientação

A legislação e os códigos de conduta geralmente obrigam a que os profissionais de saúde mantenham o sigilo médico. No entanto, nem todos os serviços de saúde estão estruturados de forma a manter a confidencialidade. Uma vez que persiste o estigma e discriminação que afeta as pessoas que vivem com VIH e devido a aittudes homofóbicas, a confidencialidade continua a ser uma preocupação para as pessoas que vão fazer o rastreio. Para além de o explicar de forma clara, é útil incluir uma declaração sobre confidencialidade (e/ou anonimato, se se aplicar) na informação escrita que o utente recebe.

De forma a proteger a confidencialidade, muitos serviços de ARVBC usam identificadores únicos, isto é, códigos que derivam de iniciais e data de nascimento, de forma a acompanhar o percurso dos utentes. Se forem enviadas amostras para laboratórios, o identificador pode ser representado por um código numérico. Neste caso, a informação pessoal e de saúde é mantida em bases de dados e em documentos em separado (incluindo pastas separadas para serviços de outreach), de forma a garantr que terceiros não poderão identificar os resultados.

Embora seja raro, alguns serviços de ARVBC disponibilizam os seus serviços de forma anónima. São usados autocolantes, números ou nomes falsos para acompanhar os utentes no processo. O anonimato, porém, impede alguns serviços adicionais – como é o caso de serviços de lembretes para rastreio regular.

Exemplo: folha de informação do Hannöversche AIDS – Hilfe (excerto traduzido do original alemão)

  • A avaliação de risco e o rastreio são anónimos, por favor não nos dê o seu nome;
  • Por princípio, só fazemos o teste rápido no âmbito da avaliação de risco e aconselhamento. O rastreio rápido não está disponível sem aconselhamento.
  • Tal como os médicos e rececionistas, os restantes funcionários trabalham sob responsabilidade de confidencialidade.

 

Adaptação

Adaptação

Existem várias componentes que podem ser usadas para garantir a confidencialidade e/ou anonimato dos utentes. Podem ser adaptadas de acordo com fatores localmente relevantes, como a recolha de dados ou obrigações de reporte, procedimentos laboratoriais, gabinetes disponíveis, etc.:

  • O utente pode fazer a marcação para evitar encontrar-se com outras pessoas na sala de espera;
  • O utente não regressa à sala de espera depois de iniciado o processo;
  • É atribuído um número, código ou autocolante ao utente e o seu nome não é registado;
  • Os utentes escolhem um nome falso para os identificar durante o rastreio;
  • Todos os funcionários têm o dever de manter a confidencialidade.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

A questão três das Self-evaluation Grids do Euro HIV EDAT centra-se na confidencialidade e no consentimento informado. A garantia de confidencialidade também pode ser debatida no âmbito de uma reflexão sobre todo o processo de rastreio – por exemplo, usando as Self-Evaluation Grids nos processos regulares de intervisão ou reuniões de equipa.

 


→ Copiar para plano de ação
Avaliação de risco
Descrição

Descrição

Um questionário para definir o nível de risco de transmissão de VIH/IST hepatites ao qual o utente esteve exposto.

 

Orientação

Orientação

Os serviços de ARVBC usam ferramentas de avaliação de risco para:

  • Definir o nível do risco ao qual o utente esteve exposto;
  • Basear as recomendações para rastreio (que rastreios e quando);
  • Compreender o que poderá significar para o utente um resultado reativo;
  • Registar o consentimento do rastreio;
  • Desenvolver os serviços com bases na análise de dados.

É importante informar o utente sobre o objetivo da avaliação de risco e como estes dados serão usados no processo de obtenção do consentimento informado.

As ferramentas de avaliação de risco vêm geralmente na forma de questionários e contêm as seguintes questões centrais:

  • Dados demográficos;
  • Quando fez o rastreio pela última vez?
  • Por que motivo decidiu fazer o rastreio?
  • Como avaliaria a probabilidade de estar infetado?
  • Que tipo de comportamentos de risco teve (tipos de relações sexuais, estatuto serológico para o VIH dos parceiros, partilha de material de injeção)?
  • O que significaria para si um resultado reativo?

As ferramentas de avaliação de risco são preenchidas ou pelo utente e entregues ou preenchidas por um técnico durante o aconselhamento pré rastreio. A participação na avaliação de risco é voluntária e não é um pré requisito para se fazer o rastreio (“Preencher este questionário irá ajudar o técnico de rastreio a responder às suas necessidades. Preenchê-lo é um ato voluntário e contiunará a poder fazer o rastreio se não o desejar preencher”). Se o utente entregar o questionário preenchido antes  da conversa pré rastreio, o técnico poderá preparar a conversa com base nas respostas.

É importante encontrar um equilíbrio entre seguir o questionário de avaliação de risco e tomar notas e dar atenção ao utente e responder às suas necessidades. Poderá ser do interesse do utente se o técnico preencher de memória a avaliação de risco após a saída do utente.

Existem muitos exemplos de ferramentas de avaliação de risco usadas por vários serviços de ARVBC.

Download Fragebogen_english 2016.pdf

Download Fragebogen_Schnelltest (englisch) ab Mai 2016

Download Fragebogen-2016_EN.pdf

O projeto COBATEST desenvolveu um formulário de recolha de dados que também inclui avaliação de risco.

 

Adaptação

Adaptação

Adaptar ferramentas e procedimentos de avaliação de risco é sobretudo encontrar um equilíbrio entre os interesses do utente (aconselhamento e rastreio voluntário e de baixo limiar) com interesses mais amplos, como a avaliação e investigação.

Os questionários e a recolha de dados podem ser adaptados às necessidades da população chave e às circunstâncias locais de forma a minimizar quaisquer impactos negativos na adesão ao rastreio e a maximizar a informação útil para o serviço de ARVBC. Os aspetos da recolha de dados para avaliação de risco que podem ser adaptados são:

  • Quem preenche o questionário e quando (técnico ou utente; antes, durante ou depois do aconselhamento pré rastreio);
  • Quão extenso é o questionário;
  • Quão pessoais são as questões;
  • A linguagem utilizada para responder à diversidade cultural e linguística.

Responder às necessidades dos utentes em cada uma das situações poderá significar:

  • Escutar as precupações do utente e adiar a avaliação de risco;
  • Omitir a avaliação de risco;
  • Preencher o formulário de avaliação de risco ou de recolha de dados de memória após o utente ter saído.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

Poderá ser útil incluir a população chave na criação dos instrumentos de recolha de dados (questionários, por exemplo) e nos processos (quem preenche o questionário, quando e como, por exemplo) durante a fase de planeamento do serviço de ARVBC. A ferramenta Participatory Quality Development tool (PQD, disponível em www.quality-action.eu) disponibiliza orientação detalhada sobre métodos como os Focus Group para consultar e envolver os stakeholders, mesmo que sejam reduzidos os recursos e tempo disponíveis.

De forma a colaborar na melhoria de qualidade, ooderão ser incluídas questões de avaliação de risco no feedback pedido aos utentes. A equipa poderá depois debater quaisquer alterações para melhorar a recolha de dados.

 


→ Copiar para plano de ação
Recolha e análise de dados
Descrição

Descrição

Os dados recolhidos no âmbito do serviço de ARVBC são analizados para fins de monitorização, avaliação e investigação. Poderão descrever a população atingida, ajudar no levantamento de necessidades e identificar tendências na perceção de risco e atitudes para com o rastreio.

 

Orientação

Orientação

É importante informar os utentes sobre o uso dado aos dados recolhidos no âmbito dos procedimentos do serviço de ARVBC (por exemplo: “As suas respostas também serão usadas para ajudar a orientar o nosso trabalho e para fins de investigação”) e deixar claro que a participação é voluntária e independente da disponibilização do rastreio.

Perguntas padronizadas, recolha consistente de dados não identificados, submissão numa base de dados e análise regular são pré-requisitos para identificar tendências.

Perguntas mesmo que sobre um número reduzido de variáveis podem orientar o trabalho do serviço de ARVBC.

Quem acede ao serviço de ARVBC, é a população chave a que se pretende chegar?

  • Identidade de género (homem, mulher, transgénero/transsexual e pessoas intersexo);
  • Grupo etário;
  • País de origem;
  • Local de residência;
  • Identidade sexual/orientação sexual.

Por que motivo estão as pessoas a aceder ao serviço de ARVBC, estão a querer fazer o rastreio com base em situações de risco?

  • Tempo passado desde o último rastreio;
  • Motivo para apresentação para rastreio (exame de rotina, risco recente, novo parceiro, etc.);
  • Risco avaliado pelo próprio (por exemplo, numa escada de 1 a 10);
  • Recente comportamento sexual de risco (com que género, tipo de relação sexual, com ou sem proteção, com que frequência, há quanto tempo);
  • Partilha de material para uso de drogas.

Como indicador de medo e estigma, como é que as pessoas que acedem ao serviço de ARVBC acham que irão reagir a um resultado reativo?

  • Estimativa feita pelo próprio (por exemplo, numa escada de 1 a 5, quão elevado acha que seria o impacto de um diagnóstico de VIH?).

Que outras questões de saúde são relevantes para as pessoas que acedem ao serviço de ARVBC? Estão informadas sobre IST, hepatites, vacinas, etc.?

  • Rastreio, diagnóstico e historial de tratamento;
  • Historial de vacinação;
  • Conhecimento sobre IST em específico (sífilis, por exemplo).

A análise estatística básica das respostas poderá ser resumida em relatórios regulares para discussão nas reuniões de equipa.

Template Download: Statistical Report

Os itens para reporte nesta lista incluem indicadores sugeridos pelo projeto HIV COBATEST para monitorização e avaliação dos serviços de ARVBC:

  • Número total de rastreios;
  • Média de idades;
  • Distribuição de género;
  • Local de residência (por código postal ou região);
  • Motivo para ir fazer o rastreio naquele dia;
  • Último teste de anticorpos para o VIH;
  • Resultados dos rastreios;
  • Número de folhas de avaliação devolvidas;
  • Onde é que os utentes tomaram conhecimento da existência do serviço;
  • Como é que os utentes avaliam o serviço, o que os agradou e o que poderia ser melhorado;
  • Orientação sexual;
  • Distribuição por grupos etários.

 

Adaptação

Adaptação

Dependendo do tempo e capacidades disponíveis, a abrangência da recolha de danos e a sua análise poderão ser adaptadas. Os dados básicos podem ser analisados periodicamente uma fez instalada a base de dados e definido o sistema de reporte.

É também possível pedir assistência a especialistas na fase de preparação e treinar posteriormente os funcionários na inserção de dados, gestão de dados e sua análise.

Opções para reduzir custos:

  • Dar a estudantes a oportunidade de analisar os dados no âmbito do currículo dos seus cursos (por exemplo: na área das ciências sociais, enfermagem, gestão de saúde pública e cursos relacionados);
  • Reduzir a frequência do reporte de análises e combiná-lo com outras tarefas de avaliação e reporte.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

Muitos sistemas de gestão de dados integram a limpeza de dados e mecanismos de verificação para minimizar imprecisões.

As formas de melhorar a recolha e análise geral de dados do serviço de ARVBC são tratadas pela melhoria estruturada da qualidade através de ferramentas como o Succeed e o QIP (www.quality-action.eu). Ambas incluem questões sobre a disponibilidade e utilidade dos dados disponíveis para a tomada de decisões e desenvolvimento.

 


→ Copiar para plano de ação
Metodologia de aconselhamento
Descrição

Descrição

As metodologias de aconselhamento são conjuntos de princípios e técnicas que os técnicos que prestam aconselhamento usam para conduzir as conversas que têm com os utentes. São baseadas em teorias da psicologia e ciências sociais, bem como na experiência concreta de aconselhamento.

 

Orientação

Orientação

As conversas de aconselhamento pré e pós rastreio são na maior parte dos casos intervenções únicas e de curta duração. A metodologia de aconselhamento escolhida tem de ser a indicada para o tempo disponível, as necessidades e objetivos dos utentes, bem como para os objetivos do serviço de ARVBC.

O aconselhamento durante o processo de rastreio da infeção pelo VIH poderá envolver técnicas de entrevista diretivas, semi diretivas e não diretivas, entrevistas motivacionais, etc. Foram produzidas várias orientações e para o aconselhamento na área do VIH. Estes documentos enumeram as abordagens a adotar e as atitudes a tomar de forma a conduzir um aconselhamento eficaz.

Os manuais e apresentações de formação em aconselhamento contêm informação detalhada sobre metodologias de aconselhamento adequadas a serviços de ARVBC, sobretudo as que são disponibilizadas por pares.

Link: cdc_hiv_scripts-rapid_hiv_testing_for_individuals

 

Adaptação

Adaptação

Tem sido discutido o papel e a extensão do aconselhamento no âmbito do trabalho de um serviço de ARVBC. Algumas pessoas defendem uma profissionalização do serviço de aconselhamento, de forma a que a marcação do rastreio seja também uma oportunidade para influenciar os comportamentos de risco. Outras, incluindo o ECDC e a OMS, propõem que o termo “aconselhamento” seja substituido por “informação”, pelo menos na conversa pré rastreio com o utente.

As metodologias de aconselhamento podem oferecer princípios claros e abordagens práticas que podem ser usadas pelos serviços de ARVBC na construção das suas próprias orientações e materiais de formação. Alguns dos fatores que irão influenciar a forma como uma abordagem de aconselhamento (uma entrevista motivacional, por exemplo) é adaptada às conversas pré e pós rastreio no âmbito do serviço de ARVBC, são:

  • Quem presta aconselhamento (por exemplo: um par, um técnico de serviço social, psicólogo, enfermeiro);
  • O que é discutido durante o aconselhamento (por exemplo: avaliação de risco, cuidados pessoais, estigma, homofobia, encaminhamento para outros serviços);
  • Quais são os limites do contexto (por exemplo: o nível de privacidade em situações de outreach, constrangimentos a nível de tempo);
  • Quais as necessidades da população chave (por exemplo: um processo rápido e simples para os HSH que fazem o rastreio regularmente e por rotina ou alcançar HSH em situação de maior vulnerabilidade que nunca fizeram o rastreio).

Opções para reduzir custos:

  • Formar voluntários (com ou sem experiência prévia na área) para serem mediadores de pares;
  • Criar programas de formação interna, adaptados ao contexto do serviço, em colaboração com especialistas externos.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

Refletir sobre a metodologia de aconselhamento, nos guiões, checklists e materiais de formação é uma parte importante de um processo estruturado de melhoria de qualidade. Pode ser feito, por exemplo, coordenando anualmente, ou bianualmente, uma reunião especial de equipa sobre esse tema. Recomenda-se que participem todos aqueles cuja presença for relevante (voluntários/funcionários remunerados, formadores, coordenadores, avaliadores e especialistas convidados) e que esteja disponível feedback dos utentes (resultados de avaliações) para dar forma à discussão. Este tipo de discussão reflexiva também pode ser usada para adaptar a metodologia de aconselhamento às alterações no processo de rastreio, à população chave e às suas necessidades.

Poderá encontrar instruções detalhadas para métodos como o Rapid Assessment, Focus Group ou Enquiries and Concerns Register na ferramenta PQD (Participatory Quality Development, disponível em www.quality-action.eu) de forma a recolher feedback dos utentes do serviço, bem como de funcionários e voluntários.

 


→ Copiar para plano de ação
Notificação de parceiros
Descrição

Descrição

A notificação de parceiros no contexto de um serviço de ARVBC significa informar os parceiros sexuais de um utente diagnosticado com uma infeção sobre a possibilidade de também terem estado expostos à mesma.

 

Orientação

Orientação

A notificação de parceiros é geralmente parte da conversa pós rastreio com as pessoas com um resutado reativo para o VIH ou outras IST. Existem várias abordagens à notificação de parceiros e as práticas variam entre países. A notificação de parceiros é um assunto que gera discussão.

Algumas pessoas afirmam que qualquer tipo de sistema de notificação de parceiros irá levantar preocupações relacionadas com a privacidade entre HSH e reduzir a adesão ao rastreio regular da infeção pelo VIH, sobretudo entre aqueles que poderão estar em situação de maior vulnerabilidade à infeção.

As atuais recomendações (ver o relatório do ECDC sobre notificação de parceiros) defendem que a notificação de parceiros deve ser voluntária, anónima através de sistemas online. Este tipo de sistemas fornecem a oportunidade de o utente inserir diretamente no sistema os dados de contacto dos seus parceiros sexuais, sendo depois gerada uma SMS e/ou e-mail. O envio está associado ao serviço de saúde e o destinatário não consegue identificar o utente somente com base no sistema de notificação de parceiros. Porém, poderá identificá-lo com base no seu número de parceiros sexuais. É por isso essencial que a particiação no sistema de notificação de parceiros seja algo voluntário, de forma a não aumentar as barreiras ao rastreio.

Este é o exemplo do CheckpointLX, em Lisboa:

http://www.checkpointlx.com/public/uploads/posters/2016/02_HIV_Partners_Notification_PARIS_2016.pdf

http://www.checkpointlx.com/public/uploads/posters/2016/05_CheckOUT_AIDS2016.pdf

Poderá encontrar aqui mais exemplos internacionais em holandês, inglês, português e espanhol:

https://partnerwaarschuwing.nl/

https://www.sxt.org.uk/

http://www.letthemknow.org.au/

http://www.thedramadownunder.info/introduction/

http://www.checkpointlx.com/checkout

http://www.inspot.org/

http://gaispositius.org/contacto/diselo/

 

Adaptação

Adaptação

A notificação de parceiros é um assunto sensível para os utentes e para quem presta o serviço. Desenvolver um sistema virtual requer conhecimentos técnicos. Ao considerar a introdução de um sistema destes, é importante ter em conta a realidade local, incluindo as leis nacionais e europeias sobre proteção de dados:

  • Dimensão da cidade e das redes de socialização/sexuais de HSH;
  • Aceitabilidade: nível de preocupação dos utentes com a confidencialidade e anonimato;
  • Custo do desenvolvimento de um sistema virtual e o seu potencial benefício.

Para uma avaliação da aceitabilidade da notificação dos parceiros (nos E.U.A.), ver:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4948177/pdf/nihms797152.pdf

Opções para reduzir custos:

  • Se se espera um número reduzido de notificações de parceiros, pode-se considerar um sistema manual de envio de SMS e notificações por e-mail através de um contacto neutro (por exemplo: o contacto geral do checkpoint) feito por um funcionário.

 

Melhoria de qualidade

Melhoria de qualidade

Embora os resultados dos sistemas de notificação de parceiros possa ser monitorizado (por exemplo, a adesão, notificações enviadas, parceiros notificados), é difícil obter feedback sobre a qualidade do sistema por parte dos seus utilizadores devido ao seu carácter voluntário e anónimo. Se os parceiros notificados receberem um código ou um cupão que poderão utilizar quando forem ao serviço de ARVBC, será possível pedir-lhes feedback e será possível contabilizar as apresentações para rastreio e as infeções rastreadas. Porém, os parceiros notificados poderão também fazer o rastreio noutro sítio ou simplesmente não usar o código.

É possível pedir feedback sobre o sistema aos utentes regulares no âmbito da avaliação do serviço e os funcionários podem fazer uma avaliação de qualidade como parte das atividades gerais de melhoria de qualidade – por exemplo, utilizando as ferramentas disponíveis em www.quality-action.eu e durante as reuniões de equipa.

 


→ Copiar para plano de ação
Imprima Lista de Verificação

Plano de ação

Aconselhamento e ligação aos cuidados de saúde
Aconselhamento
ItemO que será feito?Quem o fará?Quando?Como será monitorizado?
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Copie o item da lista de verificação acima
Imprima Plano de Ação